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Mercado do Porto Cuiabá - Antonio Moysés Nadaf - Mato Grosso - Feira do Porto - Mercadão Cuiaba

  1. Condimentos

  2. Verduras

  3. Frutas

  4. Peixes

  5. Carnes

A História do Mercado do Porto de Cuiabá

O Mercado Varejista Antonio Moisés Nadaf ou simplesmente Mercado do Porto, encontra-se zona urbana do município de Cuiabá, foi entregue oficialmente a comunidade pelo prefeito José Meirelles, em 17 de fevereiro de 1995.

Construído pela Companhia de Progresso e Desenvolvimento da Capital (PRODECAP), numa área de 26.480 mil metros quadrados, no local denominado popularmente como "Campo do Bode", com uma estrutura coberta de 6.182 mil metros quadrados abrigando 480 boxes, sendo 30 para açougues, 28 para o comércio de peixes, 16 para frios/frangos, 16 para condimentos/queijos e doces e 308 para hortigranjeiros, e 3 edificações cobertas contendo 14 lanchonetes.

Até o início da década de 1970, a Feira do Porto ficava no largo em frente ao Arsenal de Guerra, mas com a enchente de 1974 a feira foi transferida para a área do atual Museu do Rio e Aquário Municipal, antigo mercado do peixe

Feira do Porto no Largo do Arsenal
Feira do Porto no Largo do Arsenal
Mercado do Peixe
Mercado do Peixe

O Mercado Municipal do Peixe na Beira do Rio Cuiabá.

Com localização na Avenida Beira Rio, no Bairro do Porto, o edifício constitui-se em importante marco de referência da vida cuiabana, não só do tradicional Bairro do Porto, como para toda a cidade e populares da região ribeirinha, isto é, na Baixada Cuiabana.

As obras foram executadas pelo construtor corumbaense, Sr. Demenciano Félix de Oliveira e concluída em 1899. O prédio em estilo neoclássico traz consigo as características técnicas construtivas disponíveis, na época em que não havia cimento em Cuiabá. Em 13 de Junho de 1983, o mercado foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pela portaria nº 26/83 D.O. E atualmente o Museu do Rio é administrado pela Prefeitura municipal de Cuiabá

Antigo Mercado do Porto após restauro
Antigo Mercado do Porto após restauro
Tipologia em estilo neoclássico
Tipologia em estilo neoclássico

área interior do Museu do Peixe
Área interior do Museu do Peixe
Aquário Municipal
Aquário Municipal

O Ambiente do Local

A mudança da Feira do Porto que ficava no largo em frente ao Arsenal de Guerra, para o Mercado do Peixe se deu também devido à posição estratégica do local, próximo as margens do Rio Cuiabá, o que facilitava o acesso ás embarcações fluviais, principal meio de transporte na época, tornando-se um importante ponto da venda de peixes, e de troca de mercadorias diretamente ao consumidor, e receptor de vários produtos oriundos dos grandes centros abastecedores do país.

Comércio de Peixe na beira do rio
Comércio de Peixe na beira do rio
Comercialização de Mercadorias
Comercialização de Mercadorias

Com o crescimento da cidade, e da clientela, muitos outros comerciantes passaram a freqüentar o local, e a pacata feira começava a crescer cada vez mais, entre eles a disputa pelo pequeno espaço. E durante muito tempo foi uma área de grande movimentação de pessoas, de comercialização e da gastronomia cuiabana e, por falta de espaços acabou se tornando um local insalubre e totalmente inviável para esse tipo de serviço.

O mercado contava na época com 483 feirantes, entre atacadistas, varejistas e produtores, totalmente desorganizados, causando diversos problemas como:
  1. circulação deficiente decorrente do espaço físico muito reduzido para o tamanho da feira;
  2. proliferação de prostituição e tráfico de drogas;
  3. falta de higiene e de infraestrutura adequada;
  4. foco de propagação de diversas doenças transmissíveis por ratos e insetos, devido a sua grande capacidade de acumulação de lixo;
  5. ocupação indevida dos canteiros públicos, ferindo a legislação do Uso do Solo Urbano, Código de Obra, de Postura e de Limpeza Pública.
Local da Feira Livre no Porto
Local da Feira Livre no Porto
"Devido à falta de saneamento, policiamento e de uma estrutura mais adequada, o antigo mercado do porto passou a sofrer com todos os tipos de problemas que atingem as grandes feiras desorganizadas."

Transferência da Feira do Porto para o Campo do Bode

O ambiente insalubre da Feira do Porto exigia da administração pública a retirada e remanejamento dos feirantes para um espaço mais apropriado. Havia ainda a proposta de restaurar o local e transformá-lo no atual Museu do Rio e Aquário Municipal.

Essa transferência fez parte de um processo de reurbanização do Bairro do Porto que começou em maio de 1993, com o protocolo de intenções assinado pela Prefeitura Municipal de Cuiabá e as entidades representativas da comunidade da feira do Porto, esse acordo assinado previa a transferência da feira do peixe para o "Campo do Bode" e dos atacadistas para uma área do Verdão. Essa transferência era desejada pela prefeitura desde 1986, porém sem êxito porque era difícil o acordo com uma grande quantidade de feirantes, que não aceitavam a mudança da feira para outro lugar, foi difícil, e necessitou da conscientização dos feirantes e da paciência dos mesmos para esperar o término das obras, que acabou encontrando alguns imprevistos.

Muitos feirantes tinham dificuldade para aceitar o novo, a mudança, não queriam perder o seu ponto de venda, apesar de tudo. Na época a comunidade do porto vinha sofrendo muito com a falta de segurança e espaço para lazer, era uma etapa de uma proposta de revitalização de todo bairro do Porto, que infelizmente não se deu por completa.

A Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Urbanos (SMASU) tinha muitos projetos para a construção de áreas de lazer no bairro do porto, como revela o Caderno do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (IPDU) da Diretoria de Projetos Especiais, 1996. Entretanto todos os projetos dependiam da mudança da feira para o "Campo do Bode". Os atrasos nas obras do Mercado Varejista do Porto e do Centro Atacadista do Verdão e a saída do prefeito Dante de Oliveira e a posse do vice-prefeito José Meirelles, contribuíram para gerar um clima de intranqüilidade entre os feirantes, que se preocupavam se o novo secretário iria assumir e cumprir o compromisso de terminar as obras.

Com relação aos projetos da Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Urbanos, para a execução dos projetos de urbanização do Porto, relacionavam, como: a criação de ciclovias, bosques, mirantes, ancoradouros para os barcos e outros espaços de lazer, além da criação do Museu do Rio e Aquário Municipal.

A desocupação das margens do rio Cuiabá era necessária para realizar os seguintes projetos: de recuperação total das margens do rio com o plantio de árvores e arbustos nativos; de limpeza do rio através da dragagem de seu leito; de desvio dos esgotos lançados diretamente em suas águas. Para tanto, foi proposta a recolocação das famílias, que moravam as margens do rio, nas casas populares que a prefeitura se comprometeu a construir na região do Coxipó.

Neumann Ribas em sua reportagem em 30 de outubro de 1994, fala sobre a mudança da feira e que mesmo as vésperas os feirantes continuavam divididos. Um dos seus entrevistados na época, João Severino dos Santos, atacadista de folhas, não aprovava a mudança porque iria diminuir a sua freguesia, em decorrência da distância, e alegava que o maior problema que os feirantes iriam encontrar seria a escassez de transporte coletivo.

E finalmente o Mercado do Porto no "Campo do Bode" foi entregue aos feirantes no dia 10 de fevereiro de 1995, pelo antigo prefeito e atual governador na época, Dante de Oliveira e pelo secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos, José Afonso Portocarrero, como relatou um jornal da cidade:

[...] ontem foi um dia diferente para os feirantes do Porto. Ao invés das mercadorias, cedo eles botaram as mãos no martelo e desmancharam os barracos que por mais de 20 anos serviram de boxe para uma feira meio improvisada num dos espaços mais bonitos de Cuiabá, a Beira Rio. As entradas para a feira foram interditadas para as pessoas. Só entravam carros de carga e transporte de bebidas. Desde ontem de manhã era proibido vender qualquer coisa no local.

O novo Mercado Municipal do Porto veio para colocar ordem nessa situação calamitosa, o comércio e os espaços foram ordenados, e a organização interna dos boxes permitia uma maior visualização dos produtos comercializados e maior conforto e segurança aos consumidores. "A feira do sonho. A novela acabou", assim definiu a presidente da Associação dos Feirantes, Marilda Giraldelli, a inauguração do Mercado do Porto.

Projeto de Revitalização do Mercado do Porto